Insuficiência Venosa Crônica (IVC): Do Edema Inicial à Prevenção da Úlcera Venosa
A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é mais do que varizes; é uma condição progressiva que reflete a incapacidade das veias das pernas de bombear o sangue de volta ao coração de forma eficiente. O mau funcionamento das válvulas venosas faz com que o sangue reflua e se acumule, gerando um aumento da pressão venosa dentro dos vasos, conhecido como **Hipertensão Venosa**. Este aumento de pressão, se mantido cronicamente, desencadeia uma cascata de eventos inflamatórios que culminam em alterações cutâneas graves e, no estágio mais avançado, na formação de úlceras de difícil cicatrização. O angiologista e cirurgião vascular é o profissional chave para interromper essa progressão.
A Progressão da Doença: Os Estágios da IVC (Classificação CEAP)
A IVC é classificada utilizando o sistema CEAP (Clínico, Etiológico, Anatômico e Fisiopatológico), que ajuda a padronizar o diagnóstico e o tratamento. A porção Clínica (C) é a mais relevante para a compreensão do paciente:
- **C1:** Telangiectasias (vasinhos) e veias reticulares.
- **C2:** Varizes propriamente ditas (veias dilatadas e tortuosas).
- **C3:** Edema (inchaço) sem alterações cutâneas. É o primeiro sinal de que a pressão venosa está alta.
- **C4:** Alterações cutâneas. Subdivide-se em C4a (Eczema, Hiperpigmentação/Ocre Dermatite) e C4b (Lipodermatoesclerose e Atrofia Branca), que são sinais de inflamação crônica e endurecimento da pele e tecido subcutâneo.
- **C5:** Úlcera venosa cicatrizada.
- **C6:** Úlcera venosa ativa. Este é o estágio mais grave e incapacitante.
O diagnóstico é confirmado pelo **Duplex Scan Venoso**, que localiza o refluxo e mapeia as veias insuficientes, como as veias safenas, que são frequentemente as causadoras da IVC.
O Tratamento Clínico: A Compressão como Pilar
Para todos os estágios da IVC, o tratamento conservador é fundamental. O pilar do tratamento é a **Terapia de Compressão Elástica**, seja através de meias de compressão, ataduras elásticas ou inelásticas. A compressão externa exerce pressão sobre os tecidos e veias, ajudando a reduzir o edema, diminuindo a hipertensão venosa e facilitando o retorno do sangue ao coração. O uso de meias, muitas vezes desconfortável, é indispensável, e o angiologista orientará sobre o grau de compressão e o momento certo para usá-las.
Outras medidas conservadoras incluem exercícios físicos que ativam a “bomba muscular” da panturrilha, elevação das pernas e o uso de medicamentos venoativos (fleboprotetores) para auxiliar na redução do edema e dos sintomas.
Intervenções Cirúrgicas Modernas para Reverter o Refluxo
Quando a veia safena é a principal causa do refluxo e o paciente atinge estágios avançados (C3 ou C4), a intervenção para eliminar essa veia insuficiente é recomendada. As técnicas modernas são minimamente invasivas:
- **Ablação a Laser (EVLA) ou Radiofrequência:** São os tratamentos mais modernos. Um cateter é inserido na veia safena, e o calor gerado (pelo laser ou radiofrequência) fecha a veia por dentro. O sangue é automaticamente redirecionado para veias saudáveis. Esses procedimentos são realizados com anestesia local, são rápidos e a recuperação é quase imediata.
- **Flebectomia Ambulatorial:** Remoção de varizes tributárias (veias colaterais) através de microincisões.
- **Escleroterapia com Espuma (Ecoescleroterapia):** Utilizada para tratar varizes menores ou segmentos de veias safenas, injetando uma espuma que promove o fechamento da veia.
A escolha do procedimento depende do mapeamento realizado pelo Duplex Scan e deve ser individualizada pelo cirurgião vascular.
O Desafio da Úlcera Venosa (Estágio C6)
A úlcera venosa é uma ferida aberta, geralmente localizada perto do tornozelo, causada pela falha da microcirculação em decorrência da hipertensão venosa de longa data. O manejo da úlcera é complexo e exige:
- **Tratamento da Causa (Refluxo):** A úlcera só cicatriza de forma duradoura se a causa (a insuficiência venosa) for tratada, geralmente com ablação da veia safena ou correção de refluxos profundos.
- **Cuidado da Ferida:** Limpeza adequada, desbridamento do tecido morto e uso de coberturas modernas que estimulam a cicatrização.
- **Compressão de Alta Potência:** Curativos de compressão, como o sistema de bandagem multicamadas, são essenciais para reduzir o edema e a hipertensão venosa local, que impedem a cicatrização.
O tratamento da IVC é contínuo. A prevenção da progressão para C6 e a cicatrização das úlceras ativas são os objetivos primordiais da Angiologia e Cirurgia Vascular.
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