A Doença de Buerger, também conhecida como tromboangeíte obliterante, é uma vasculite inflamatória que acomete artérias e veias de pequeno e médio calibre, principalmente nas extremidades. É fortemente associada ao tabagismo e pode levar a complicações graves, incluindo gangrena e amputação. Reconhecer os primeiros sinais é essencial para mudar o curso da doença e preservar a função dos membros.

O que é a Doença de Buerger?
A Doença de Buerger é uma condição inflamatória rara, descrita pela primeira vez em 1908 pelo médico Leo Buerger. Diferente da aterosclerose convencional, ela não envolve placas de gordura, mas sim uma reação inflamatória intensa da parede dos vasos, com formação de trombos. Esse processo bloqueia a circulação sanguínea, causando dor, frio, palidez e até feridas que não cicatrizam nas mãos e pés.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, a doença atinge principalmente homens jovens, entre 20 e 45 anos, com forte histórico de tabagismo. Mulheres tabagistas também podem desenvolver o quadro, especialmente em regiões com alto consumo de tabaco. Estudos recentes mostram aumento dos casos em mulheres devido ao crescimento do hábito de fumar nessa população.
Por que o cigarro é o principal vilão da Doença de Buerger
O tabagismo é considerado o principal gatilho da Doença de Buerger. Substâncias como nicotina, monóxido de carbono e dezenas de compostos tóxicos provocam vasoconstrição, lesão do endotélio e ativação do sistema de coagulação. O resultado é uma inflamação crônica progressiva nos vasos das mãos e dos pés, com piora a cada nova exposição.
Cigarros eletrônicos, narguilé e tabaco mascado também já foram associados ao desenvolvimento e à progressão da doença. Mais detalhes sobre o impacto desses produtos podem ser conferidos no artigo sobre tabagismo eletrônico e saúde vascular. Mesmo o tabagismo passivo pode contribuir para a manutenção do quadro em pacientes já diagnosticados.
5 sinais de alerta da Doença de Buerger
Identificar precocemente os sintomas é fundamental. Os 5 sinais mais comuns incluem: 1) dor intensa nos dedos das mãos ou pés, mesmo em repouso; 2) sensação de frio constante nas extremidades; 3) coloração pálida, arroxeada ou avermelhada nos dedos; 4) feridas (úlceras isquêmicas) que não cicatrizam; e 5) claudicação intermitente, ou seja, dor ao caminhar curtas distâncias que melhora com o repouso.
Outros sinais incluem flebite migratória superficial, sensibilidade exagerada ao frio e fenômeno de Raynaud associado, que pode ser revisto no artigo sobre Fenômeno de Raynaud. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico e maior a chance de preservar os membros afetados.
Diagnóstico: o papel do angiologista na Doença de Buerger
O diagnóstico da Doença de Buerger envolve avaliação clínica detalhada e exames complementares. O angiologista solicita ultrassom Doppler arterial, angiotomografia ou angiografia para visualizar as oclusões características em forma de “saca-rolhas” nos pequenos vasos distais. Esses achados são típicos e ajudam a diferenciar a Buerger de outras vasculites e da aterosclerose.
Exames laboratoriais ajudam a excluir outras vasculites e estados de hipercoagulabilidade. O Doppler é fundamental nessa investigação, e seu papel está bem detalhado no artigo sobre Doppler Vascular, exame essencial na rotina do angiologista para mapear o fluxo sanguíneo das extremidades.
Tratamento e prevenção da Doença de Buerger
O tratamento mais importante e decisivo é a interrupção total e permanente do tabagismo. Sem isso, qualquer outra terapia tem efeito limitado. Medicações vasodilatadoras, antiagregantes plaquetários e analgésicos potentes podem ser indicados para alívio dos sintomas e melhora da circulação. O acompanhamento psicológico é frequentemente necessário para apoiar o paciente no processo de cessação do tabaco.
Em casos graves com risco de amputação, podem ser realizadas técnicas como simpatectomia, revascularização cirúrgica e terapia com células-tronco em centros especializados. O acompanhamento contínuo com o angiologista garante a detecção precoce de novas lesões, ajustes no tratamento e a manutenção da qualidade de vida do paciente a longo prazo.
Quando procurar ajuda médica
Fumantes que apresentem dor, frio ou alterações de cor nos dedos devem procurar imediatamente um angiologista. A Doença de Buerger tem evolução rápida quando o paciente continua fumando, e o atraso no diagnóstico está diretamente associado ao risco de amputação. O abandono do cigarro, somado a um plano terapêutico individualizado, oferece excelentes resultados na maioria dos pacientes diagnosticados precocemente.