Doença Carotídea em Pacientes Cardíacos: Risco de AVC

A doença aterosclerótica frequentemente afeta múltiplas artérias (coronárias, carótidas e periféricas). Pacientes que necessitam de cirurgia de revascularização do miocárdio (ponte de safena) têm um risco elevado de ter também a Doença Carotídea (estenose nas artérias do pescoço), que é a principal causa de AVC. Este artigo discute o rastreamento essencial com Duplex Scan de Carótidas antes da cirurgia cardíaca e os critérios para intervenção vascular (Endarterectomia Carotídea ou Angioplastia com Stent). O objetivo é prevenir o AVC durante ou após a cirurgia cardíaca, que é um evento catastrófico. O planejamento conjunto entre o cirurgião vascular e o cirurgião cardíaco é crucial para determinar a melhor sequência de tratamento.
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Médico Angiologista

Dr. Leonardo Pacheco
CRM MG 38779 | RQE 21204 | 21203

Doença Carotídea em Pacientes Cardíacos: Risco de AVC | Dr. Leonardo Pacheco | Angiologista

Doença Carotídea em Pacientes Cardíacos: Estratégias de Rastreamento Vascular para Prevenção do AVC

O coração e o cérebro são os órgãos mais vulneráveis à aterosclerose, o endurecimento e estreitamento das artérias devido ao acúmulo de placas de gordura. É comum que pacientes com doença arterial coronariana (que exige revascularização do miocárdio, ou “ponte de safena”) também apresentem **Doença Carotídea** – estenose ou obstrução nas artérias carótidas do pescoço, que fornecem sangue ao cérebro. A coexistência dessas duas patologias eleva o risco de um desfecho catastrófico: o Acidente Vascular Cerebral (AVC). A avaliação pré-operatória vascular, conduzida pelo Angiologista e Cirurgião Vascular, é um passo crítico para minimizar esse risco.

A Sinergia do Risco: Por Que o Coração e o Cérebro Estão Conectados

A aterosclerose é uma doença sistêmica. Se as artérias coronárias estão doentes, é muito provável que as carótidas (e as artérias periféricas) também estejam. A estenose carotídea é a causa de até 30% dos AVCs isquêmicos, pois as placas na carótida podem se romper e liberar êmbolos (pequenos coágulos ou fragmentos da placa) que viajam até o cérebro. Em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, o risco de AVC aumenta devido às alterações de pressão, manipulação da aorta e circulação extracorpórea durante o procedimento. Portanto, o rastreamento e o tratamento de uma estenose carotídea significativa são vitais antes de se realizar a cirurgia cardíaca.

Rastreamento Pré-Operatório: O Duplex Scan de Carótidas

O exame padrão para rastreamento da Doença Carotídea é o **Duplex Scan (Ultrassonografia com Doppler)** de Carótidas e Vertebrais. Este exame não invasivo e altamente acurado permite ao angiologista:

  • Medir o grau exato de estenose (estreitamento) causado pela placa de ateroma.
  • Avaliar as características da placa (se é estável ou “vulnerável” à ruptura).
  • Avaliar o fluxo sanguíneo cerebral.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular recomenda o rastreamento em pacientes que serão submetidos à revascularização do miocárdio, especialmente aqueles com sopro carotídeo, histórico de AVC ou ataque isquêmico transitório (AIT), ou doença arterial periférica conhecida. Uma estenose carotídea significativa (geralmente acima de 70% ou 80%) exige tratamento antes, durante ou imediatamente após a cirurgia cardíaca.

Estratégias de Intervenção Vascular Carotídea

O tratamento da estenose carotídea visa a remover ou estabilizar a placa para prevenir o AVC. As duas principais opções são:

  1. **Endarterectomia Carotídea (EAC):** É o método mais tradicional e consagrado. O cirurgião vascular faz uma incisão no pescoço, abre a artéria carótida, remove a placa de ateroma (“raspagem”) e sutura o vaso. É um procedimento de alta durabilidade e eficácia comprovada, especialmente para estenoses sintomáticas (que já causaram AVC ou AIT).
  2. **Angioplastia com Stent Carotídeo (CAS):** É um procedimento endovascular. Um cateter é guiado até a lesão, um *stent* (malha metálica) é implantado para abrir e manter a artéria patente, e um filtro de proteção distal é usado para capturar fragmentos da placa, impedindo que cheguem ao cérebro. É frequentemente preferido em pacientes com pescoços irradiados, lesões de difícil acesso cirúrgico ou alto risco cirúrgico para a EAC.

A decisão entre EAC e CAS é complexa e deve ser individualizada, considerando o risco do paciente e a anatomia da lesão, sempre com o objetivo de minimizar o risco perioperatório.

O Tempo e a Sequência do Tratamento Combinado

Quando o paciente precisa de tratamento carotídeo e cardíaco, o planejamento é crucial. As opções são:

  • **Tratamento Carotídeo Sequencial (Primeiro Carótida, Depois Coração):** Geralmente preferido para estenoses carotídeas de alto grau e sintomáticas.
  • **Tratamento Carotídeo Concomitante:** Em casos raros e selecionados, o tratamento carotídeo (EAC) pode ser feito na mesma anestesia que a cirurgia de ponte de safena.

O cuidado contínuo, com controle de pressão, colesterol e tabagismo, é a melhor forma de prevenir a recorrência da aterosclerose em ambos os leitos vasculares. A integração do cirurgião vascular e do cardiologista garante a máxima segurança para o paciente.

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