O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma das emergências vasculares mais graves da medicina, caracterizado pela obstrução súbita das artérias pulmonares por um coágulo sanguíneo. Apesar de potencialmente fatal, o reconhecimento precoce dos sintomas e o tratamento imediato podem salvar vidas. Como angiologista, compreender essa doença é essencial para orientar a prevenção, especialmente em pacientes com fatores de risco. Neste artigo, você vai entender o que é, como ela acontece e como tratar o TEP.
O que é tromboembolismo pulmonar?
O tromboembolismo pulmonar ocorre quando um coágulo, geralmente formado nas veias profundas dos membros inferiores (trombose venosa profunda – TVP), se desprende e migra pela circulação até alcançar as artérias pulmonares. Ao obstruir o fluxo sanguíneo nos pulmões, o coágulo impede a oxigenação adequada do sangue, sobrecarrega o coração direito e pode levar à insuficiência respiratória aguda.
Estima-se que o TEP seja responsável por cerca de 300 mil mortes por ano no mundo, sendo a terceira causa cardiovascular mais letal, atrás apenas do infarto e do AVC. Por isso, o tema é prioridade na rotina do angiologista.
Principais causas e fatores de risco
O tromboembolismo pulmonar está intimamente ligado à formação de trombos no sistema venoso. Os principais fatores de risco incluem:
- Imobilização prolongada (viagens longas, pós-operatório, internação);
- Cirurgias recentes, especialmente ortopédicas e oncológicas;
- Câncer ativo ou em tratamento;
- Trombofilias hereditárias (predisposição genética à coagulação);
- Uso de anticoncepcionais ou terapia de reposição hormonal;
- Gravidez e puerpério;
- Obesidade e tabagismo;
- Idade avançada (acima de 60 anos);
- História prévia de TVP ou TEP;
- COVID-19 e outras doenças inflamatórias sistêmicas.
Sintomas do tromboembolismo pulmonar
Os sintomas do tromboembolismo pulmonar variam conforme o tamanho do coágulo e a quantidade de pulmão acometido. Os sinais mais comuns são:
- Falta de ar súbita (dispneia), mesmo em repouso;
- Dor torácica intensa, tipo pleurítica (piora ao respirar);
- Tosse seca, às vezes com presença de sangue (hemoptise);
- Taquicardia (aumento da frequência cardíaca);
- Sudorese fria e sensação de desmaio;
- Inchaço e dor em uma das pernas (sinal sugestivo de TVP);
- Cianose (coloração azulada de lábios e extremidades).
Em casos graves, o TEP pode evoluir para choque cardiogênico e parada cardiorrespiratória. Diante de qualquer suspeita, procure imediatamente uma emergência.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do tromboembolismo pulmonar exige rapidez e precisão. Os exames mais utilizados incluem:
- Angiotomografia de tórax: exame padrão-ouro, visualiza o coágulo nas artérias pulmonares;
- D-dímero: exame de sangue que avalia a probabilidade de trombose;
- Ultrassom Doppler dos membros inferiores: identifica TVP associada;
- Eletrocardiograma e ecocardiograma: avaliam sobrecarga cardíaca;
- Gasometria arterial: detecta hipoxemia.
O angiologista também aplica escores clínicos (como Wells e Geneva) para estimar a probabilidade pré-teste antes da confirmação por imagem.
Tratamento do tromboembolismo pulmonar
O tratamento do tromboembolismo pulmonar tem como objetivos dissolver ou estabilizar o trombo, prevenir novos episódios e tratar complicações. As estratégias incluem:
- Anticoagulação: base do tratamento, com heparinas e anticoagulantes orais diretos (DOACs);
- Trombólise: uso de medicamentos para dissolver o coágulo em casos graves;
- Trombectomia: remoção mecânica do coágulo, indicada em pacientes instáveis;
- Filtro de veia cava: dispositivo que impede novos êmbolos em pacientes selecionados;
- Suporte ventilatório e hemodinâmico em casos críticos.
A duração da anticoagulação varia de três meses a tratamento vitalício, dependendo da causa. Saiba mais sobre a relação entre trombose e TEP em nosso artigo sobre trombose venosa profunda.
Como prevenir o tromboembolismo pulmonar
A prevenção é a melhor estratégia contra o tromboembolismo pulmonar. Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco:
- Movimente as pernas durante viagens longas;
- Use meias de compressão graduada quando indicado;
- Pratique atividade física regularmente;
- Mantenha-se hidratado;
- Controle o peso e cesse o tabagismo;
- Siga rigorosamente o protocolo de profilaxia em internações e cirurgias;
- Faça avaliação angiológica se houver fatores de risco familiares.
Quando procurar o angiologista?
Pacientes com história pessoal ou familiar de trombose, pós-operatório recente, gestantes, oncológicos e usuárias de anticoncepcional devem ter acompanhamento periódico com angiologista. Diante de sintomas suspeitos de tromboembolismo pulmonar, não hesite: busque atendimento de emergência imediatamente. O diagnóstico precoce é o que separa um desfecho favorável de uma tragédia.
Para informações adicionais, consulte a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.