Síndrome de Congestão Pélvica: Dor e Varizes Pélvicas

A Síndrome de Congestão Pélvica (SCP) é uma condição crônica, subdiagnosticada em mulheres, caracterizada por dor pélvica persistente, muitas vezes agravada ao ficar em pé ou durante/após a relação sexual. A causa primária são varizes nas veias pélvicas, resultante de refluxo venoso nas veias ovarianas e/ou ilíacas internas. O artigo descreve os sintomas, o desafio do diagnóstico diferencial com outras causas de dor pélvica, e a importância de exames de imagem especializados (Duplex Scan Transvaginal, Angiotomografia ou Flebografia). O tratamento é altamente eficaz, focando na interrupção do refluxo, principalmente através da embolização minimamente invasiva, um procedimento realizado pelo cirurgião vascular/angiologista para ocluir as veias insuficientes.
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Médico Angiologista

Dr. Leonardo Pacheco
CRM MG 38779 | RQE 21204 | 21203

Síndrome de Congestão Pélvica: Dor e Varizes Pélvicas | Dr. Leonardo Pacheco | Angiologista

Síndrome de Congestão Pélvica: Desvendando a Causa Vascular da Dor Crônica Feminina

A dor pélvica crônica é uma queixa comum e, muitas vezes, frustrante para as mulheres. Após descartadas as causas ginecológicas e urológicas, a origem do desconforto pode ser vascular: a Síndrome de Congestão Pélvica (SCP). Esta condição é causada pela presença de varizes e refluxo nas veias pélvicas (principalmente as veias ovarianas e ilíacas internas) que ficam dilatadas, levando à estase (acúmulo de sangue) e pressão nos órgãos adjacentes. O diagnóstico correto da SCP é o primeiro passo para um tratamento resolutivo, e é uma das áreas de expertise do Angiologista e Cirurgião Vascular.

Os Sintomas Inespecíficos e o Desafio Diagnóstico

A SCP manifesta-se tipicamente com uma dor pélvica profunda, que é descrita como uma sensação de peso ou pressão, e possui características que a diferenciam de outras condições:

  • **Dor Postural:** Piora significativamente ao ficar em pé por longos períodos e melhora ao deitar.
  • **Dispareunia:** Dor durante ou após a relação sexual.
  • **Varizes Atípicas:** Presença de varizes na vulva, nádegas, região glútea ou faces internas das coxas, que se conectam com o sistema venoso pélvico.
  • **Sintomas Menstruais:** Piora da dor durante o período menstrual.
  • **Sintomas Urinários:** Aumento da frequência urinária, sem infecção.

A SCP é mais comum em mulheres que tiveram múltiplas gestações, devido ao aumento da pressão venosa e às alterações hormonais. O fluxo sanguíneo elevado durante a gravidez pode causar o enfraquecimento das válvulas das veias ovarianas, levando ao refluxo crônico e à dilatação varicosa.

Exames de Imagem Específicos para a Confirmação

O diagnóstico da SCP exige exames que avaliem o fluxo venoso e a anatomia da pelve:

  • **Ultrassonografia Transvaginal com Doppler:** É o exame inicial, que pode identificar a dilatação das veias pélvicas e o refluxo. A realização com a paciente em pé pode aumentar a sensibilidade do exame.
  • **Angiotomografia ou Angiorressonância:** Oferecem um mapa vascular mais completo, visualizando o trajeto e a morfologia das veias ovarianas e ilíacas.
  • **Flebografia Pélvica:** Considerado o padrão ouro. É um procedimento minimamente invasivo onde o contraste é injetado nas veias para mapear o sistema venoso pélvico. É, frequentemente, realizado no mesmo momento do tratamento (embolização).

A exclusão de outras causas como endometriose, doença inflamatória pélvica ou cistos ovarianos é essencial antes de se estabelecer o diagnóstico de Síndrome de Congestão Pélvica.

O Tratamento: Embolização como Padrão Ouro

Historicamente, o tratamento envolvia ligadura cirúrgica das veias. Hoje, o tratamento de escolha é a Embolização de Varizes Pélvicas, uma técnica realizada pelo Cirurgião Vascular e Angiologista, com as seguintes etapas:

  1. **Acesso:** É realizada uma punção, geralmente na veia femoral ou jugular, sob sedação e anestesia local.
  2. **Cateterismo:** Um cateter fino é guiado sob fluoroscopia (raio-X em tempo real) até a veia ovariana insuficiente.
  3. **Oclusão (Embolização):** O refluxo é interrompido permanentemente com a injeção de agentes esclerosantes líquidos (como o polidocanol) e/ou a colocação de molas metálicas (coils), que induzem a oclusão da veia.

Este procedimento é minimamente invasivo, tem alta taxa de sucesso e permite que a paciente retorne às atividades normais em pouco tempo, com alívio significativo da dor pélvica crônica. O fluxo sanguíneo será redirecionado para veias saudáveis da pelve. O sucesso da embolização está diretamente ligado à identificação e oclusão de todas as veias com refluxo, o que exige grande experiência do profissional.

Cuidado Integrado e Resultados a Longo Prazo

O gerenciamento da SCP exige uma abordagem multidisciplinar. O cirurgião vascular não apenas trata a causa primária (o refluxo), mas também gerencia o cuidado venoso geral, incluindo o tratamento de varizes secundárias nas pernas que podem surgir devido ao aumento da pressão venosa. O acompanhamento regular com Duplex Scan é importante para monitorar a eficácia do tratamento e detectar possíveis recanalizações. A SCP é uma doença tratável, e o reconhecimento e a intervenção vascular podem trazer um alívio duradouro para as mulheres afetadas.

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